terça-feira, 6 de maio de 2014

O Desafio da Inteligência Empresarial

O ambiente de negócios a cada dia está mais complexo e imprevisível, visto que a pressão para responder rapidamente as mudanças estão sempre se encurtando ou acelerando o ritmo decisório. Se por um lado, tal complexidade cria oportunidades; por outro, pode criar problemas. Por exemplo, podemos comprar de fornecedores ou realizarmos vendas para diversos clientes em diversos países com muito mais facilidade. Em contrapartida, o número de concorrentes atuando em determinado segmento de mercado deixou de ser apenas regional ou de um país para ser global, mais agressiva e sofisticada.
Vemos empresas realizando alianças e parcerias para ampliar e conquistar novos mercados. Isto faz com que as organizações sejam ágeis em suas tomadas de decisões, sejam elas estratégicas, táticas e operacionais. O fato é que, atualmente, tomar essas decisões pode exigir quantidades consideráveis de dados, além de informações e conhecimento.
Peter Drucker (1993), no seu livro Post-capitalist Society, afirma que a "questão central para o executivo moderno é ser capaz de usar o Conhecimento para criar novos produtos e serviços".  Podemos notar que uma nova realidade se impõe no meio empresarial frente aos fatores que dominavam o pensamento econômico desde Adam Smith onde os fatores de produção eram a terra, o capital e o trabalho. Nos tempos atuais o conhecimento é a nova revolução nas empresas.
Uma organização para prosperar ou até mesmo sobreviver deverá saber utilizar todo o conhecimento que ela dispõe. A utilização do conhecimento existente dentro das organizações será a chave para a geração de resultados e a sua sobrevivência. A formulação de toda estratégia será advinda do conhecimento obtido através das informações disponíveis. É a matéria-prima para fazer frente aos desafios impostos pelo mercado.
A preocupação central dos gestores deverá ser transformar a informação e conhecimento em valor. Para que haja êxito nesta tarefa, será necessário entender a nova lógica da economia do conhecimento.
Podemos afirmar que muitas organizações vêm adotando práticas de inteligência: Organizacional, Empresarial e Competitiva. Por ser um assunto ainda recente o mercado ainda mistura suas denominações, às vezes chamando de Inteligência Organizacional ora chamando de Inteligência Empresarial, Inteligência Competitiva ou Business Intelligence (BI).
Em um estudo publicado em 2007 pela Global Intelligence Alliance (GIA) notamos que são empregadas diversas designações para a área de Inteligência Empresarial ao redor do mundo:
 Fonte: Market Intelligence in Large Companies Global Study 2007 - Global Intelligence Alliance
Em pesquisas bibliográficas observa-se que diversos autores conceituam Inteligência de diversas maneiras no contexto organizacional e empresarial: McMaster (1996) afirma que a Inteligência Organizacional é a capacidade de uma corporação como um todo de reunir informação, inovar, criar conhecimento e atuar efetivamente baseada no conhecimento que ela gerou.
Albrecht (2004) diz que a Inteligência Organizacional integra diversos níveis de inteligência – individual, de equipe e organizacional – em uma estrutura para criar empresas inteligentes.
Rezende (2008) afirma que a Inteligência Organizacional também é o somatório dos conceitos de inovação, criatividade, qualidade, produtividade, efetividade, perenidade, rentabilidade, modernidade, inteligência competitiva e gestão do conhecimento.
A Inteligência Competitiva segundo a SCIP -- Society of Competitive Intelligence Professionals, é um programa sistemático e ético para coleta, análise e gerenciamento de informações externas que podem afetar os planos, decisões e operações de uma empresa.
Para Tyson (1988) a Inteligência Empresarial pode ser concebida como o resultado de uma evolução como função híbrida do planejamento estratégico e das atividades de pesquisa de marketing.
Matheus; Parreiras (2004) afirmam que a Inteligência Empresarial busca integrar os sistemas computacionais aos sistemas de informação organizacionais, enquanto o BI (Business Intelligence) concentra-se no desenvolvimento de sistemas de informação computacionais.
Concluímos então que, a Inteligência Empresarial seria a reunião de todas as inteligências existente dentro de uma empresa com o objetivo de utilizar este conhecimento para melhorar o entendimento da organização e melhorar as informações para a tomada de decisões. Agregando assim valores aos negócios.
Independente do grau de maturidade em que se encontra uma empresa em Inteligência Empresarial, o foco desta área não deve se concentrar em ações imediatistas ou de curto prazo e sim utilizar todo o conhecimento adquirido para tomada de decisões para um horizonte de médio e longo prazo.





Ronaldo Rangel é professor na Escola Paulista de Negócios

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