quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Comportamento sobre vazamento de informações




Nathalia Alonso - Professora da EPN

Proteger informações confidenciais e restritas é um requisito de negócio. Se informações relacionadas aos negócios de uma organização, de clientes, financeiros e outros dados vazarem e forem indevidamente utilizadas por criminosos ou concorrentes o risco de condenações e até mesmo de atingirem a reputação da organização e pessoas é significativo
Os códigos de ética são diretrizes do conselho de administração relativos a gestão como um todo do negócio, por sua vez os códigos de condutas são específicos e a sua violação pode ocasionar sérias consequências de ordem trabalhista, cível, criminal, contemplando questões financeiras, regulatórias e penais.
Tanto organizações quanto seus colaboradores podem ser objeto de investigação e condenações baseadas não só em normas jurídicas, mas com base no CÓDIGO DE CONDUTA que cada colaborador assinou e em relação à qual é responsável pelas informações com que ele trabalha.
Por isso, a importância de proteger as informações de acordo com padrões definidos no CÓDIGO DE CONDUTA e demais controles internos de gestão de riscos adotados pela organização.
A política de Segurança da Informação, deve ser cuidadosamente observada e rigorosamente seguida, na dúvida o melhor é não fazer, levando a questão aos superiores responsáveis pelo compliance da organização.
Sempre com foco no fator humano não em simples implantação de mecanismos na forma de conjunto de “check lists”, de forma que o código de conduta não pode estar desconectado do dia-a-dia da organização.
O ambiente e as pessoas devem voluntariamente tomar decisões no melhor interesse de longo prazo da companhia e cumprir as regras (Silveira,p. 87).
Explicar como a exposição estimuladas por redes sociais e o constante compartilhamento de informações por meios digitais pode expor empresas e colaboradores ao risco de ter informações sigilosas propagadas indevidamente.
Monitoração de Conteúdo – geralmente os e-mails enviados para endereços fora da rede da organização são monitorados eletronicamente para detectar quando dados sensíveis estão sendo enviados sem criptografia ou indevidamente, violando assim as políticas e padrões do CÓDIGO DE CONDUTA E DEMAIS CONTROLES INTERNOS na forma de controle “ex ante” - prévio.
A monitoração em relação as redes sociais também é possível, na forma de “ex post” - controle posterior, pois as informações ficam públicas e acessíveis.
Assim o ideal é
Não enviar e-mail que inclua documentos relacionados ao seu trabalho (tais como planilhas, rascunhos ou mesmo imagens e fotografias de celulares) para sua casa / endereço de e-mail pessoal;
Não postar em redes sociais documentos relacionados ao seu trabalho, inclusive detalhes de encontros, imagens e fotografias de celulares
Não enviar informações confidenciais ou restritas sem a devida criptografia, certificando-se antes de enviá-las se podem ou devem ser enviadas para determinadas pessoas;
Algumas organizações adotam procedimentos interno com classificação das informações em diversos níveis, entre eles nível confidencial ou superior, com determinação específica de onde podem ser armazenadas, mediante determinadas criptografias previamente estabelecidas e difundidas.
Violação de segredo é um dos motivos que podem levar a demissão por justa causa
Como se proteger dessas situações – código de ética
Procedimentos para não circular sem querer informações que não poderiam ser divulgadas
A idéia é de como lidar com isso.

Determinadas empresas adotam o sistema de “Mesa Limpa” onde além de proteger todas as informações que são armazenadas e transmitidas digitalmente, também prescrevem no código de condutas sistemas de proteção das informações em papel e mídia física.
São exemplos:
                Não deixar notes, smartphones e demais dispositivos sobre a mesa desacompanhados;
                Armazenar documentos impressos e/ ou dispositivos de armazenamento de mídia portáteis (pendrive) que contenham informações confidenciais ou restritas em uma gaveta ou armário fechado;
                Recolher documentos impressos de copiadoras ou aparelhos de fax;
                O descarte de informações sensíveis deve ser  realizado usando a máquina trituradora ou outro dispositivo ou processo que torne os documentos inutilizáveis.

COM RELAÇÃO A Incidentes de Segurança da Informação (ou SIRT), ou seja, de uma violação de Segurança da Informação (ocorrida ou suspeita) de um ou mais ativos de informação da organização tais como
                Perda ou divulgação indevida de dados, tais como o roubo de dados de clientes.
                Manuseio indevido de documentos confidenciais ou restritos deixados em impressoras ou aparelhos de fax ou descartados de maneira inapropriada.
                Divulgação,  compartilhamento ou guarda inapropriada da senha.
                Mudanças de configurações de segurança ou código-fonte em sistemas da organização, sem a devida aprovação.
                Perda ou roubo de um laptop, PC ou outro equipamento da organização.

                Qualquer tipo de ação que vise burlar as políticas ou processos da organização e seu código de conduta, inclusive suspeita de que os dados da organização, especialmente de dados confidenciais de clientes, foram de alguma forma comprometidos, você deve relatar o incidente ao departamento competente de compliance ou de segurança da informação BISO (Business Information Security Officer) conforme a estrutura organizacional.

A complexidade do ambiente e o rent-seeking no Brasil

O tema complexidade já vem sendo tratado há um bom tempo pelas ciências sociais (como na Teoria dos Sistemas Sociais de Niklas Luhmann) e, rapidamente, avançou por campos diversos como a economia (Teorema da Impossibilidade de Arrow é um exemplo), o direito (estando presente no debate sobre o direito como um sistema autopoiético), a administração (através do conceito de resiliência), dentre outros. 




Todos os exemplos acima apresentados partem de uma raiz comum: se baseiam em sistemas dinâmicos onde inexistem regras determinísticas e os elementos que constituem o sistema, interagem entre si e com o meio.
 Com efeito, os sistemas complexos são não lineares, ou seja, não mantém correlações de causalidade, dado que estão em constante modificação. Edward Lorenz, pioneiro da teoria do caos, apresentou o conceito de “Sensibilidade às Condições Iniciais“, conhecido popularmente como “efeito borboleta” (LORENZ, 1972), demonstrando que leves alterações em condições iniciais de um sistema podem gerar mudanças drásticas nos padrões finais.
Note-se que as condições teóricas para a compreensão de um sistema caótico, embora dinâmico, mantém contato com seu ambiente e encontra seu próprio caminho ou trajetória através da capacidade de auto-organização que, por sua vez, decorre das interações ativas entre os elementos do sistema e/ou entre eles e seu ambiente. Claro está que as interações podem ter sentidos positivos ou negativos, gerando perturbações ou turbulências das quais emergem novas interações, interações mais complexas e mesmo novos e maiores sistemas complexos.  
Contudo os elementos (ou partes) de sistemas complexos que interagem entre si e buscam um certo padrão organizativo dentro do caos, através do que é chamado de “atratores estranhos” (BIASE, 2103), que agem como definidores de uma trajetória para a qual o sistema se vê atraído. Em certo sentido, um sistema caótico é regido por um ou diversos atratores estranhos, sendo que as interações com o meio, ou as perturbações derivadas dessas interações, podem fazer com que o sistema se ajuste por meio de adaptação, anulação ou criação de atratores. Ou seja, o sistema é capaz de se adaptar a novos comportamentos conduzidos pelos atratores estranhos.
A despeito de possuir certo sentido de ordem, os sistemas complexos normalmente não se equilibram, pois são dissipativos. Em física, um sistema dissipativo não mantém sua energia constante (ou conservada), portanto, é instável e não se equilibra. São sistemas que trocam energia com o ambiente e, embora distantes do equilíbrio, são necessariamente evolutivos. 
Isso significa que sistemas complexos têm certa organização, mas rarissimamente se equilibram e, inclusive, a condição usual de seu eventual equilíbrio é ser rompido, pois o sistema está em constante mutação não só por questões internas de seus elementos mas, principalmente, pela adequabilidade ao ambiente. Isso permite aceitar que “até começar a parecer ordem, o caos não é perigoso”. (GUNTHER, 2011, p. 68) 
Na última década, o tema complexidade ganhou novos contornos pela constatação de que os sistemas complexos não só são evolutivos como são também adaptativos, ou seja, sistemas em que as partes envolvidas, frente as suas experiências e “aprendizado”, modificam as regras que determinam seu comportamento (HOLLAND, 2014). Os chamados sistemas complexos adaptativos (CAS - complex adaptive systems) que moldam ou adaptam comportamentos de seus elementos por algum tipo de aprendizado, constituem-se como um sistema volátil, mas que (e curiosamente) não parece ter nenhum tipo de contradição interna, pois mesmo com muitas variáveis e muitas conexões entre elas, sempre serão norteados por algum tipo de “atrator estranho’ criado a partir da necessidade de adaptação.
Já há algum tempo o crime (no sentido de ações de criminalidade) vem sendo tradado como um sistema complexo, por exemplo, Cláudio Beato e Luiz Felipe Zilli ao tratarem de gangues afirmam:

“Dentro da perspectiva dos sistema complexos, o processo de estruturação das atividades criminosas vinculado às gangues desenvolve-se de maneira não linear, com graus variados de complexidade que oscilam em função de diferentes contextos internos e externos. Trata-se, portanto, de tentar compreender o caráter de auto-organização assumido por estes elementos, identificando em que medida suas formas de organização impactam os processos de estruturação de atividades criminosas e, ao mesmo tempo, têm sua própria estrutura modificada ou impactada pela complexificação dessas atividades”(BEATO e ZILLI, 2012, p 79)

O argumento desse ensaio é que a corrupção não só é um elemento que compõe um sistema adaptativo complexo, mas, principalmente, atua como um “atrator estranho” que dá ordem ao sistema caótico pois as forças que regem a corrupção se articulam e rearticulam a partir de interesses econômicos específicos que precisam ser adaptados de tempos em tempos. Assim, quando uma ação externa, como, por exemplo, a operação chamada Lava Jato, desequilibra o sistema, o atrator (no caso a corrupção) acompanhando a mudança do ambiente, se adapta e articula novas condutas e uma nova forma de partilha interna dos benefícios decorrentes de atos corruptivos.



No já citado artigo “Democracy and Growth in Brazil”, Marcos Lisboa e Zeina Latif apresentam uma curiosa visão das relações entre crescimento e democracia no Brasil, que segundo os autores sempre foram baseadas em rent-seeking. Independente de contra-argumentos apresentados ao texto, é certo que a tentativa de obtenção de vantagens e rendas pela manipulação do ambiente político e da organização na máquina estatal está presente no País como uma tradição patrimonial-burocrática egressa do modelo colonial português. Raimundo Faoro, por exemplo, aponta para o fato que já nos primórdios da nação criou-se uma lógica estamental como uma estrutura social autônoma com o fim de promover a apropriação privada do Estado que se construía (FAORO, 1977). O cientista político Edson de Oliveira Nunes no livro “A gramática política do Brasil: clientelismo, corporativismos e insulamento burocrático” (2010), demonstra que o Estado Brasileiro ao longo de sua formação criou uma matriz complexa de relacionamento com a sociedade que, por seu turno, mantém interesses diversos e de formatos complexos, os quais, por vezes, são alcançados por relações clientelistas junto ao poder público, em outras por ações corporativas e, em outras ainda, por articulações com o governo de formato insular. No livro Brasil: quinhentos anos de corrupção, Sergio Habib (1994) lista atos de corrupção desde o século XVIII, alongando-se pelo Império, primeiras décadas da República, Estado Novo etc, até chegar ao governo de Fernando Collor. 
 Observa-se que as relações privadas, mormente empresariais, com o Estado – e diga-se historicamente – foram estabelecidas pela busca e manutenção de privilégios. Supondo-se que para cada privilégio concedido, ocorra uma contrapartida, é crível que, ao longo do tempo, se tenha arraigado na cultura brasileira uma certa passividade ou tolerância com desvios éticos e falhas morais na relação público x privado. 
É evidente que a “ética consiste em algo que muda conforme a sociedade, a época, os conceitos e até conforme o grupo aos quais os indivíduos pertencem”. (SANTOS, 2015, p.10). Contudo, se retornarmos à leitura das teorias comportamentais apresentadas por Ariely, vamos perceber certo destaque no fato de que as interações sociais geram sinais que alteram o código de ética, estabelecendo o limite do que é aceitável pelos indivíduos. Se tais sinais são permissivos e se a relação punição x vantagem percebida é favorável ao deslize moral, o limite ético aceitável piora e a “desonestidade” ganha escala. Nas palavras do autor: “quando o trapaceiro faz parte de nosso grupo social nos identificamos com essa pessoa e, em consequência, sentimos que trapacear é mais socialmente aceitável” (ARIELY, 2012, p 180). 
Assim, retornando a um dos nossos argumentos iniciais, reafirma-se que a corrupção que está disseminada no Brasil decorre de um processo menos criminal e mais cultural. Em princípio, seria razoável supor que pressões em favor do interesse público (como as que vêm sendo promovidas pela justiça e polícia federal no âmbito das diversas operações deflagradas), arrefecessem a cultura de corrupção no país. Ocorre que, aparentemente, tais ações são meras “perturbações” que apenas desequilibram elementos de um sistema adaptativo complexo que é a sociedade brasileira.
Partindo-se do suposto de que a sociedade brasileira pode de fato ser entendida como um sistema adaptativo complexo e que tal sistema foi estruturado com base em privilégios e rent-seeking, é de se imaginar que ações como redução de esforços, priorização de recursos, acesso a informações e outras tantas questões que normalmente seriam obtidas pela eficiência das organizações, no caso brasileiro provêm das relações privadas com o setor público. A biologia ensina que todas as características que adequam os seres vivos a algo são chamadas de adaptativas. Em igual sentido, os diversos elementos (ou agentes) do sistema complexo em questão buscam permanente adequar suas características às mudanças (ou perturbações) no ambiente para estar no melhor posicionamento possível, visando obter os diversos privilégios que a estrutura estatal pode oferecer. Entretanto, vale observar que:

“Como as configurações do ambiente são potencialmente infinitas, não é possível ao sistema e aos seus componentes, ter uma resposta pré-programada para cada um dos possíveis problemas com os quais o ambiente pode desafiá-los. Por isso, esses sistemas precisam ter a capacidade de se adaptar a problemas novos, a estímulos diferentes, a situações inéditas e únicas, sem precedentes e sem paralelo, mantendo sua identidade em face do ambiente” (FOLLONI, 2016, p 64-65)

Como se extrai da citação, a par dos sistemas adaptativos complexos terem a capacidade de aprendizado, auto-organização e, principalmente, de adaptação, o que aliás lhes permite ajustar as habilidades para conviver adequadamente com o ambiente, é necessário destacar que de todo movimento adaptativo emerge um “comportamento agregado”, um conjunto de interações intrínsecas aos elementos do sistema que, portanto, embora se transforme, não perde a identidade. 
No caso em tela, é razoável aceitar que a identidade se confunde com os objetivos dos elementos do sistema (empresas, políticos, servidores públicos, população etc.), quer seja: a busca e manutenção de relações preferenciais e privilegiadas com o Estado. É claro que tal objetivo gera conflitos, turbulência ou, se preferirmos, caos. É nesse contexto que a corrupção age como o atrator estranho, pois ela é o elemento que viabiliza o objetivo ou que ajusta as trajetórias do sistema. Se o ambiente se modifica, se perturbações ocorrem, o atrator se ajusta, e todo o sistema é adaptado para alcançar seu novo atrator. Dito de maneira mais explícita, se o objetivo arraigado historicamente é obter do Estado alguma benesse ou privilégio, a função da corrupção é ser o elemento de coesão, que faz a ligação entre a multiplicidade dos interesses privados e da heterogeneidade de comportamentos possíveis dos agentes públicos, sendo que sua forma, característica e, mesmo abrangência, estarão permanentemente se adaptando às mudanças das condições  do ambiente. 


Texto de Ronaldo Rangel professor da EPN e da FGV

terça-feira, 1 de agosto de 2017

UM CENÁRIO PARA O MERCADO EDUCACIONAL BRASILEIRO DE NÍVEL SUPERIOR


Estrutura de Mercado


Preliminarmente deve-se apontar que o mercado educacional de nível superior brasileiro é dividido em dois segmentos.
O primeiro com características de concorrência monopolística, com alto grau de elasticidade preço, com perspectiva de evolução para um mercado de oligopólio diferenciado, em virtude da tendência da concentração do mercado, onde a demanda é fortemente sensibilizada pela imagem de qualidade e diferenciação do produto educacional oferecido. São demandantes que claramente compreendem a importância de obter diplomação em uma sólida Instituição de Ensino Superior (IES) e que provavelmente tem definidos os seus projetos de carreira.
O segundo segmento tem características de concorrência quase perfeita, com baixo coeficiente de elasticidade preço, sendo que a demanda é fortemente influenciada pelo custo do item dos serviços educacionais oferecidos no orçamento do demandante e pelo desejo de, a baixo custo, suprir às necessidades de formação em curso superior, não sendo para eles relevante a chancela da IES ou a qualidade do curso, pois compreendem que um diploma de curso superior é a condição necessária para a empregabilidade.
Diversas IES brasileiras buscam atuar nos dois nichos. No primeiro caso, através de cursos “estrela” (no conceito dqa matriz BCG) oferecendo curtos de maior complexidade, admitindo atender nesta modalidade a um número menor de estudantes, mas que, no entanto, são mais bem qualificados. Em tais casos a IES cria ações pedagógicas sinérgicas com o mercado e/ou com outras organizações educacionais/científicas. Esta opção de atuação de mercado exige escopo e modernização expressiva visando à permanência no setor.
No segundo caso, atuará oferecendo cursos com o perfil de “vaca leiteira” (ainda, com base na BCG), criando cursos com núcleos básicos onde os estudantes farão disciplinas comuns e somente ao final destes estágios é que cursarão as disciplinas de sua ênfase específica. Tal estratégia de construção da matriz curricular possibilita a mitigação dos custos e encargos educacionais incorridos, permitindo que a IES pratique preços mais atrativos, inclusive atendendo o publico das chamadas classes C e D.




Cenário Político


Independente de questões conjunturais, estruturalmente o número de estudantes universitários no brasil está abaixo da média Latino Americana, sendo que o país tem a menor população com diploma universitário dentre os emergentes.
Não sem motivo o criou-se o Plano Nacional de Educação que estabelece a meta de ter 33% da população de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior até 2020. No momento tal percentual é de 17% e, certamente, não chegaremos ao percentual previsto, no tempo planejando.
O citado Plano Nacional de Educação foi fortemente estimulado durante os oito anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com crescimento médio do número de universitários de 7,1%.
Tais índices foram alcançados graças a uma série de programas de incentivo, os quais atenderam mais de 1,4 milhões de estudantes no período, tais como o Programa Universidade Para Todos (PROUNI) que oferece aos alunos de baixa renda bolsas de estudo em instituições de ensino privadas e o  Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) que permite aos estudantes financiar as mensalidades do curso e só começar a quitar a dívida depois da formatura.
Evidentemente, o ambiente econômico recente, associado com as incertezas políticas pelas quais passa o país, vem restringido no momento a execução plena de tais programas, que entretanto, certamente serão reativados na medida em que o contexto político e econômico se normalizarem.
Cabe salientar que 75% das vagas em cursos superiores estão nas instituições privadas que, por óbvio, se beneficiarão da retomada dos programas de fomento ã educação.



Cenário Cultural e Econômico


Observa-se duas nítidas tendências nos aspectos culturais brasileiros que afetam o mercado educacional de ensino superior, como a mudança de comportamento do jovem brasileiro que busca, cada vez mais se profissionalizar e adquirir conhecimentos que lhes permitam estar aptos para lidar com expectativas modernizantes das empresas e, mesmo, com o dinamismo recentemente alcançado pelo setor produtivo.
Sendo que são inegáveis as recentes mudanças estruturais de caráter geral na economia do país.
Nas últimas décadas não apenas se vivenciou a modernização de certos setores produtivos, como também e principalmente, a diminuição da diferença social no país.
O aumento da capacidade de consumo das classe populares, trouxe a reboque a elevação dos gastos com educação, tendência que não dá sinais de reversão.
Evidentemente, por aspectos conjunturais, tais gastos diminuíram e verifica-se inclusive o aumento da inadimplência em diversas IES. Contudo, o ambiente econômico tende a melhorar no futuro próximo e as classes sociais novamente incorporadas ao mercado de consumo devem retomar seu padrão de gastos, inclusive com educação.
Ademais o desenvolvimento da Tecnologia de Ensino a Distância – EAD e as parcerias entre IES com empresas de comunicação notadamente de internet para fins de utilização ferramentas sincronas e assíncronas, geram maior facilidade de acesso não só por meio da tecnologia de EAD em si, mas também pela redução da lacuna tecnológica entre aluno e professor.

Ronaldo Rangel é professor da Escola Paulista de Negócios